Resumo
USDC, USDT e USD1 são todas stablecoins centralizadas, cujos emissores mantêm certos poderes de gerenciamento de contrato, mas de acordo com esta análise comunitária do código público dos contratos, há diferenças evidentes na capacidade de cada uma para lidar com ativos congelados.
Na versão atual, o USDC pode principalmente restringir endereços por meio de listas negras e possui capacidades de pausa e outras funções administrativas; o USDT, além de congelar, possui um mecanismo para destruir saldos em endereços na lista negra; já o artigo aponta que o StablecoinV2 do USD1 inclui funcionalidades como drain e reallocate, que, sob as condições adequadas de permissão, permitem manipular os USD1 em endereços congelados, incluindo transferir ou redistribuir.
Portanto, ao discutir o "grau de descentralização" das stablecoins, não basta verificar se os ativos estão em carteiras auto-custodiadas, mas é necessário focar em: qual o nível de controle que o emissor mantém sobre os ativos no nível do contrato inteligente.
É importante destacar que permissões administrativas não equivalem a "backdoors" maliciosos. Se tais funções estão publicamente disponíveis no contrato na blockchain, a discussão correta deve ser sobre o controle centralizado do emissor e os limites das permissões do contrato, e não assumir diretamente a existência de código malicioso oculto.
Observação do portfólio KTX Crypto
Para o portfólio KTX Crypto, esta perspectiva comunitária representa uma observação sobre **"permissões do emissor de stablecoins e riscos de controle de ativos"**, cujo foco não é simplesmente determinar qual stablecoin é mais segura, mas entender que auto-custódia não significa estar totalmente livre do controle do emissor:
- USDC: foco na permissão de congelamento. O contrato atual pode restringir endereços via lista negra, mas o artigo observa que a versão atual não possui função administrativa para transferir diretamente saldos congelados.
- USDT: além do congelamento, pode destruir. O mecanismo de lista negra limita o uso do USDT por endereços específicos e existe capacidade para lidar com os saldos desses endereços, inclusive destruindo-os.
- USD1: permissões de manipulação de ativos merecem atenção. Segundo a análise do StablecoinV2, além do congelamento, existem mecanismos como drain e reallocate que permitem transferir ou redistribuir saldos congelados.
- Controle da chave privada ≠ controle absoluto da stablecoin: Mesmo que os ativos estejam em cold wallets ou carteiras multisig controladas pelo usuário, as permissões administrativas do contrato centralizado podem ainda afetar o token.
- Na execução do portfólio: além dos riscos de reserva, liquidez e desancoragem, devem ser considerados os mecanismos de lista negra, permissões de upgrade, papéis administrativos e o tratamento dos ativos congelados na avaliação de riscos das stablecoins.
Texto original incluído
Comparação do grau de centralização entre USD1, USDT e USDC
Discussões recentes sobre as permissões do contrato do USD1 trouxeram à tona uma questão que costuma ser negligenciada:
Quando a stablecoin está em uma carteira na sua própria blockchain, qual o grau real de controle que o usuário tem sobre os ativos?
USDC, USDT e USD1 são stablecoins centralizadas, sendo comum que o emissor mantenha certo nível de permissões administrativas. O que realmente vale comparar é o que cada uma pode fazer após congelar os ativos.
USDC: principalmente “congelar”
De acordo com a análise do contrato atual do USDC, a Circle pode colocar endereços específicos em uma lista negra.
Quando um endereço está na lista negra, sua capacidade de transferir USDC é limitada, e o contrato também possui mecanismos administrativos como pausa.
O artigo observa que, na versão do contrato verificada, não há uma função similar ao destroyBlackFunds do USDT, que permite destruir todo o saldo de um endereço na lista negra; nem existe função para transferir diretamente o USDC desse endereço para o administrador.
Mas há uma variável importante:
O USDC é um contrato atualizável.
Portanto, ao discutir essas permissões, é preciso distinguir entre as funções disponíveis no “contrato atual” e as possíveis mudanças que podem ocorrer com atualizações futuras.
USDT: pode agir além do congelamento
Em comparação, o artigo considera que as permissões do USDT são mais amplas.
Além de limitar endereços via lista negra, o contrato do USDT possui mecanismos como o destroyBlackFunds, que permite lidar diretamente com os saldos dos endereços na lista negra.
Isso significa que, mesmo que o USDT esteja em uma cold wallet controlada pelo usuário, o token ainda está sujeito às regras do contrato do emissor.
Aqui aparece um conceito que pode causar confusão:
Controlar a chave privada da carteira não é o mesmo que controlar o contrato da stablecoin.
O usuário tem o direito de assinar transações daquele endereço, mas o emissor controla as regras do token, que são níveis diferentes de permissão.
USD1: congelar, transferir e redistribuir
O caso do USD1 merece ainda mais atenção.
Segundo a análise do contrato StablecoinV2 atual, além das funções administrativas comuns como congelar, descongelar, pausar, emitir e destruir, existem funcionalidades como drain e reallocate.
O artigo interpreta que essas funções permitem que, sob as condições de permissão do contrato, o administrador não só congele endereços, mas também transfira ou redistribua os USD1 congelados.
Resumindo a estrutura de permissões, as diferenças entre as três stablecoins podem ser entendidas como:
USDC: congelamento
USDT: congelamento + destruição
USD1: congelamento + transferência/redistribuição
Esta é a parte mais relevante da discussão relacionada ao USD1.
Auto-custódia não significa total independência do emissor
Muitos usuários acreditam que:
Se a moeda está em uma cold wallet, e somente eu tenho a chave privada, então ninguém mais pode mexer nesses ativos.
Para ativos nativos como BTC, essa compreensão está mais alinhada com o design.
Mas para stablecoins emitidas de forma centralizada, a situação é diferente.
A chave privada controla a assinatura do endereço, enquanto o administrador do contrato da stablecoin controla as regras do token.
Portanto, mesmo que o usuário não tenha vazado sua chave privada, se o contrato da stablecoin concede ao emissor poderes para congelar, destruir ou redistribuir, o emissor pode afetar o estado do token conforme essas permissões.
“Permissões administrativas” não são “backdoors” necessariamente
Sobre a existência de “backdoors” no USD1, é preciso distinguir claramente os conceitos.
Se “backdoor” significa código malicioso oculto, inserido secretamente pelo desenvolvedor e não detectável externamente, as informações do artigo não são suficientes para provar a existência de tal backdoor.
Se tais funções estão publicamente disponíveis no contrato que roda na blockchain, a descrição correta é:
USD1 possui permissões administrativas centralizadas significativas.
O foco não deve ser rotulá-lo como um “backdoor”, mas sim se os investidores compreendem essas permissões e em que circunstâncias o emissor pode usá-las.
Outra questão importante: código-fonte versus implementação real
O artigo também levanta uma observação crucial:
A investigação aponta que o código-fonte do USD1 no GitHub oficial da World Liberty pode diferir do StablecoinV2 que está efetivamente em execução na blockchain.
Segundo o autor, a versão pública do GitHub não contém drain e reallocate, enquanto a versão do StablecoinV2 atualizada em abril de 2026 já inclui essas funções.
Se isso for confirmado pela análise do contrato na blockchain, dos endereços dos proxies e do histórico de atualizações, a questão vai além do tamanho das permissões, envolvendo:
Os investidores devem confiar no código oficial do repositório ou no contrato de implementação efetivamente executado na blockchain?
A resposta claramente deve favorecer o último.
Para stablecoins atualizáveis, a análise de risco não deve se limitar ao GitHub, mas também acompanhar o contrato de implementação atual apontado pelo proxy, os papéis administrativos, o histórico de upgrades e o código efetivamente implantado.
Assim, a análise de risco das stablecoins está se expandindo de uma simples pergunta sobre “desancoragem” para considerar:
Se as reservas são suficientes, quem tem o poder de atualizar, quem pode congelar ativos e o que o emissor pode fazer após o congelamento.
Aviso de risco:
Este texto é uma compilação e organização de opiniões da comunidade. As permissões específicas dos contratos de USD1, USDT e USDC devem ser verificadas nas versões atualmente implantadas na blockchain e nas divulgações oficiais; contratos podem ser atualizados e permissões podem mudar. Este texto não constitui aconselhamento de investimento, faça sua própria pesquisa (DYOR).
Autor original: Phyrex
Conta no X: @PhyrexNi
Link original: https://x.com/PhyrexNi/status/2090756310946164877
Aviso de risco: este texto é uma compilação de opiniões da comunidade, não constitui aconselhamento de investimento, faça sua própria pesquisa (DYOR).